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Neuropsicologia

A Neuropsicologia como a conhecemos atualmente, se apóia nos conhecimentos adquiridos da neurologia e da psicologia. Tais conhecimentos têm evoluído e se modificado, criando condições para o desenvolvimento de métodos específicos de avaliação.

A Neuropsicologia desenvolveu testes que promovem um mapeamento qualitativo e quantitativo das áreas cerebrais e a investigação das mesmas, através de um exame minucioso e sistemático de habilidades perceptuais, cognitivas e motoras. Esse processo, que caracteriza a avaliação neuropsicológica, tem como objetivo estudar a expressão das disfunções cerebrais sobre o comportamento, podendo, essas disfunções, ser resultado de lesões, doenças degenerativas ou ligadas a quadros psiquiátricos e doenças que tem a disfunção neurológica como resultado secundário sem que possa ser detectada através de exames clínicos, uma vez que o tecido cortical não está comprometido. A avaliação é realizada por testes organizados em baterias, que fornecem psicodiagnósticos e permitem confirmar, as hipóteses iniciais sobre o indivíduo.

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Avaliação Neuropsicológica

A Neuropsicologia desenvolveu testes que promovem um mapeamento quantitativo e qualitativo das áreas cerebrais e a investigação das mesmas, através de um exame minucioso e sistemático de habilidades perceptuais, cognitivas e motoras. À partir dos resultados dos testes organizados em baterias, são fornecidos psicodiagnósticos podendo-se delimitar se existem funções cerebrais disfuncionais.

A avaliação neuropsicológica pode ser utilizada para a realização de um diagnóstico ou então para documentação, acompanhamento ou fins legais, em casos de diagnósticos conhecidos. Muitos déficits não têm a magnitude suficiente para serem evidentes ao exame clínico, não obstante poderem comprometer o funcionamento diário do paciente.

Alguns déficits exigem o emprego de materiais específicos de teste para sua demonstração. Déficits sutis de memória podem prenunciar quadros mórbidos bastante graves e exigem um exame extenso e aprofundado, que pode demorar várias horas ou mesmo dias. Cabe ressaltar ainda que indivíduos com nível alto de funcionamento pré-mórbido, podem sofrer declínio de funções e ainda assim, permanecer com desempenho dentro da faixa de normalidade, sem comprometimento significativo da vida diária. Suas queixas neste caso podem ser interpretadas erroneamente caso não seja realizada uma avaliação neuropsicológica detalhada.

Os escores de testes são abstrações realizadas a partir de observações do desempenho do paciente. Eles expressam um cálculo matemático que compara o desempenho com o de um grupo normativo pareado por sexo, idade e escolaridade. Muitos testes no Brasil não possuem grupo normativo adequado, o que indica cautela na interpretação de alguns resultados. Alguns testes revelam ter um mesmo perfil de grupo normativo em diferentes culturas, outros são altamente variáveis dependendo do grupo testado. Alguns testes se prestam a análise qualitativa, outros não. Vários testes possuem uma forte correlação entre si e discrepâncias eventuais indicam comprometimento cognitivo, mesmo na inexistência de grupo normativo. Alguns testes são altamente dependentes da idade (como os que exigem destreza visuomotora), outros da escolaridade (corno os que exigem vocabulário); alguns sofrem influência de ambos os fatores e outros pouco se modificam através de amplas faixas etárias e dos níveis sócio-econômicos. O laudo de uma avaliação deve ser idealmente realizado por profissional capacitado, que conheça princípios de neurofisiologia e neuroanatomia, clínica neurológica e psiquiátrica, estatística, metodologia científica e tenha íntima compreensão da estrutura, validade e confiabilidade de cada teste que utiliza.

 

Hemisférios Cerebrais

Embora os dois hemisférios cerebrais trabalhem de maneira conjunta e complementar, existem diferenças no que se refere ao processamento dos vários tipos de estímulos sensoriais. Em indivíduos destros, o hemisfério direito é predominante para o processamento de informações não verbais (faces, formas geométricas, figuras espaciais e música), este pode ser considerado “sintetizador” enquanto que o hemisfério esquerdo é o dominante para o processamento de estímulos que tem uma conotação lingüística (letras, palavras, fonemas, números). O hemisfério esquerdo também está relacionado a seriação proporcional dos movimentos (praxia) envolvendo uma coordenação seqüencial e analítica de estímulos, podendo ser este hemisfério considerado “analisador” (Kimura, 1963; Muszkat,1989; Muszkat. et al., 1992; Grieve, 1995).

A dominância hemisférica é determinada pela localização do centro de linguagem; ela pode ser determinada pelo Teste de Wada por ocasião de ato neurocirúrgico e, na prática clínica diária, estimada pelo inventário de lateralidade. Em 95% dos destros e 65% dos canhotos (a maioria, portanto) o hemisfério dominante é o esquerdo. Os canhotos tendem a ser menos "lateralizados", isto é, têm menor grau de especialização dos hemisférios.

O hemisfério esquerdo tende a ser mais volumoso, diferença esta por conta das áreas de linguagem (plano temporal). Há diferenças quanto à neurotransmissão e também quanto à organização: enquanto o hemisfério esquerdo (HE) existe uma organização integrada, com áreas especializadas ("centros"), no hemisfério direito (HD) parecem existir "redes", mas não "centros". Isto justificaria o fato de lesões em diferentes áreas e, mesmo do diferentes proporções no HD, cursarem com déficits muito semelhantes.

O HE realiza um processamento linear, analítico, como no caso das locuções verbais, proposições matemáticas e programação de seqüências motoras.

O HD realiza um processamento configuracional, sintético. O HE media funções verbais tais como leitura, escrita, fala, ideação verbal, memória verbal e sistema numérico. O HD media funções não verbalizáveis, tais como funções visuo-perceptivas (percepção de formas, perspectiva, duas e três dimensões, etc.). O HD também é denominado de cérebro emocional, pelo fato de processar e atribuir significado à prosódia do discurso, às expressões faciais, o reconhecimento de estados afetivos, dentre outros. A música é processada pelo HD em indivíduos não-músicos (que "sentem" o que ouvem) e pelo HE em músicos (que "analisam" o que ouvem). Enquanto o julgamento métrico é uma função esquerda, discernir qual entre dois objetos está mais próximo é função direita. Cálculos que envolvem organização espacial (mentalmente ou no papel) exigem processamento direito, mesmo que o sistema numérico seja processado pelo esquerdo.

A interpretação dos achados neuropsicológicos é valiosa na delimitação da lateralidade da disfunção cerebral, nos casos em que os exames neurofisiológicos e de neuro-imagem não são determinantes. O exame neuropsicológico pode também fornecer informações de natureza topográfica, uma vez que alguns padrões de disfunções cognitivas estão intimamente relacionados a estruturas cerebrais específicas.

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